A troca de acusações e decisões entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em torno do inquérito que apura o caso do Banco Master elevou a crise no Supremo Tribunal Federal para além de um conflito interno: especialistas alertam que o episódio tem potencial de transformar o Judiciário em ator que influencia diretamente a corrida eleitoral. A comparação com a intervenção do juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato é recorrente entre juristas, que apontam efeitos duradouros sobre a confiança nas instituições.

Eloísa Machado, professora de direito constitucional da FGV e coordenadora do projeto Supremo em Pauta, classifica como grave o 'timing' das decisões envolvendo o relatório da Polícia Federal e a divulgação de diálogos que citam pagamentos ligados ao escritório da mulher do ministro Moraes. Para ela, o problema não é apenas apurar condutas individuais, mas o risco de as investigações se converterem em ferramentas políticas capazes de interferir no processo eleitoral — um cenário que, no passado, provocou desgaste institucional e resultados imprevisíveis.

A escalada incluiu medidas concretas que ampliaram a tensão: Mendonça divulgou relatórios da PF e solicitou afastamentos na cúpula da corporação, enquanto Moraes pediu a Fachin a apuração de supostas irregularidades na atuação do colega. Fachin respondeu retirando parte da análise do inquérito das Fake News e solicitando esclarecimentos, mas a avaliação de especialistas é que a resposta institucional precisa ser mais rápida e clara para evitar que a disputa pessoal fragilize a imagem coletiva do tribunal.

Do ponto de vista político, a crise impõe custos palpáveis. Além de ampliar a percepção de judicialização da política, ela pode recalibrar estratégias de candidatos e alimentar narrativas de antagonismo institucional durante a pré-campanha. A saída proposta por analistas é processual: levar o debate ao plenário, com transparência e critérios, e acelerar medidas que afastem interesses pessoais das decisões que têm impacto público. Sem essa reação institucional, o tribunal corre o risco de repetir o 'estrago' que contaminou investigações e debates públicos em episódios anteriores.