O Palácio do Planalto intensificou a articulação para tentar destravar a tramitação do PL da Misoginia na Câmara. Em reunião do comitê interinstitucional do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, informou à primeira-dama Janja que pretende se reunir com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), na próxima segunda-feira (10/8). O objetivo declarado é pedir a inclusão do projeto na pauta de votações durante a semana de esforço concentrado dos deputados.
A proposta, originada no Senado, prevê equiparar atos de ódio, discriminação ou menosprezo contra mulheres ao crime de racismo, tornando tais condutas inafiançáveis e imprescritíveis e estabelecendo pena de dois a cinco anos. Na Câmara, a relatoria ficou com a deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Antes do recesso, tentativa de levar o texto ao plenário foi adiada por falta de acordo entre lideranças — um sinal da dependência do calendário e da disposição da presidência da Casa.
Nos bastidores, ministros e parlamentares da base reconhecem que a viabilização do PL passa pela abertura de espaço por parte de Hugo Motta. A aposta do Planalto em uma interlocução direta expõe uma realidade política: o governo precisa transformar prioridade simbólica em agenda legislativa, mas não controla a dinâmica interna da Câmara. Essa limitação pode virar custo político caso a matéria, amplamente defendida pela primeira-dama, não avance conforme a estratégia prevista.
Se conseguir a inclusão na semana de esforço concentrado, o governo terá um ganho político imediato em uma pauta social sensível. Se o projeto voltar a emperrar, porém, o episódio tende a complicar a narrativa oficial sobre capacidade de articulação e entrega de medidas ostensivas no campo dos direitos das mulheres. O desfecho nas próximas semanas será indicador direto da força do Palácio no Legislativo e da disposição das lideranças em priorizar matérias com impacto simbólico.