O deputado federal José Guimarães (PT-CE) assumiu na tarde desta terça-feira, 14, a Secretaria de Relações Institucionais do governo federal. A posse no Palácio do Planalto contou com a presença dos presidentes do Senado e da Câmara e marca a saída de Gleisi Hoffmann da pasta, que deve disputar o Senado pelo Paraná. O presidente Lula deu a posse, mas não fez discurso.
No pronunciamento, Guimarães voltou a enfatizar a importância do diálogo com o Parlamento como condição de governabilidade e convocou os líderes do Congresso a contribuir para a defesa da democracia frente a ameaças de caráter extremista. Colegas no Salão Nobre, entre eles os presidentes do Legislativo, ressaltaram sua capacidade de negociação e relacionamento transversal com bancadas de diferentes espectros.
Como titular da nova pasta, caberá a Guimarães coordenar a interlocução do Planalto com Congresso, estados, municípios e setores da sociedade civil. Na lista de prioridades estão pautas sensíveis: o fim da escala de trabalho 6x1, a tramitação da proposta de emenda sobre segurança pública e a articulação para aprovar no Senado a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
A mudança de posto também altera a dinâmica da bancada do governo na Câmara: Paulo Pimenta (PT-RS) assume a liderança, enquanto Guimarães se concentra na interlocução interinstitucional. A necessidade de obter votos no Senado pela indicação ao STF acende um ponto de atenção para o Planalto e tende a exigir capacidade de costura política em meio a resistências eventuais da oposição.
O perfil conciliador de Guimarães e sua rede de relações no Parlamento são ativos claros para a agenda do governo. Ao mesmo tempo, o tom combativo contra a ultradireita que ele escolheu para a posse sinaliza uma estratégia de mobilização política que poderá polarizar debates. Na prática, o novo ministro terá de transformar diálogo em resultados concretos para não deixar a articulação fragilizada nos próximos meses.