O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), saiu em defesa do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ao comentar a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Em agenda em Sergipe, Guimarães disse que o senador terá oportunidade de apresentar sua versão, mas deixou claro que o Executivo apoia a continuidade das apurações com transparência e respeito ao contraditório.
Guimarães ressaltou a autonomia da Polícia Federal e afirmou que o Planalto não orientou projetos que tramitaram no Congresso em favor do Banco Master. A declaração surge após o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, autorizar buscas com base em indícios de que Wagner teria atuado em temas relevantes para a instituição financeira, como crédito consignado, Fundo Garantidor de Crédito e a negociação envolvendo o BRB.
Além de defender acesso ao direito de defesa, o ministro tentou conter efeitos políticos imediatos: evitou falar em substituição da liderança no Senado, atribuindo a decisão ao presidente Lula, e afirmou que o governo continuará focado na votação de pautas consideradas prioritárias. Ainda assim, o episódio acende alerta sobre o risco de desgaste da base governista na Casa e pode complicar a tramitação de matérias sensíveis caso aumente a pressão política.
A combinação entre investigação da Polícia Federal e decisão do STF põe o caso no centro do debate sobre limites entre articulação parlamentar e responsabilidade política. Para o governo, a ênfase na transparência e na independência das apurações busca minimizar o impacto institucional; para a oposição, os fatos reforçam exigência por esclarecimentos e põem em teste a estabilidade da coesão política em torno das propostas do Executivo.