O ministro da articulação política, José Guimarães, afirmou confiar na “vitória” do governo na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O nome do indicado foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça por 16 votos a 11 e segue agora para o Plenário do Senado, onde será confirmada ou rejeitada. A existência de encontros não previstos na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com Guimarães e o líder no Senado, Jaques Wagner, chama atenção para a mobilização política em torno da sabatina.

A movimentação do Planalto sinaliza confiança, mas não elimina riscos. A aprovação na CCJ veio por margem relativamente estreita, e o voto em plenário pode testar o capital político do governo. Reuniões fora da agenda reforçam a percepção de que o Executivo está diretamente envolvido na costura do apoio, um gesto que pode ser interpretado como articulação legítima — ou como pressão — dependendo do desfecho. Nesse sentido, o processo acende alerta sobre custos políticos e institucionais caso a disputa fique apertada.

No Senado, o desempenho de Messias na sabatina também pesa. O indicado se posicionou contra os chamados “inquéritos eternos”, em referência ao inquérito das Fake News, mas evitou tomar posição clara sobre proposta de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro. A cautela em temas sensíveis pode preservar votos moderados, mas oferece munição à oposição, que tende a explorar omissões e contradições para desgastar a candidatura do escolhido pelo Planalto.

A votação em plenário terá efeito simbólico e prático. Uma confirmação tranquila consolidaria a capacidade de articulação do governo e reduziria ruídos institucionais; um placar apertado ou eventual derrota ampliaria desgaste político, dificultaria agendas futuras e aumentaria pressão sobre a base aliada. Para o Palácio, a expectativa de vitória precisa se materializar na urna do Senado para evitar custo político e reforçar a narrativa de controle sobre indicações às mais altas cortes.