O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira no Planalto ser “radicalmente contrário” a qualquer iniciativa do governo federal para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A posição, reforçada pelo Ministério da Fazenda, desloca a responsabilidade política e fiscal para o governo do Distrito Federal, que terá de buscar soluções próprias para enfrentar a crise na instituição.

Apesar do veto a um socorro direto, integrantes da equipe econômica e aliados do ministro admitem alternativas indiretas: a possibilidade de bancos públicos federais adquirirem ativos do BRB, em operações que dependeriam de negociação e de aval do Banco Central. No entanto, tratam-se de manobras mais lentas e sujeitas a restrições regulatórias, portanto incapazes de fornecer uma resposta imediata ao quadro de instabilidade.

As declarações coincidiram com uma nova fase da Operação Compliance Zero: a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, alvo de investigações sobre irregularidades relacionadas ao Banco Master. Guimarães elogiou o trabalho da PF e disse que é preciso responsabilizar aqueles envolvidos — posição que ecoa o discurso presidencial sobre apuração e punição, sem poupar celebridades políticas.

O enquadramento adotado pelo governo federal acende um alerta político local: ao impedir um socorro direto, o Palácio do Planalto limita opções financeiras e aumenta a pressão sobre a gestão do Distrito Federal para apresentar respostas rápidas. A alternativa de transferir ativos entre estatais depende de acordo técnico e político, o que deixa a solução em aberto e eleva o custo político da crise para autoridades regionais.