No ato do PT em São José do Rio Preto (SP), o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad classificou o banco Master como produto de uma "máfia" e associou a instituição a nomes ligados ao bolsonarismo. O pronunciamento trouxe ao centro do debate político as doações feitas pelo ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, nas eleições de 2022.

Haddad não enumerou acusações judiciais, mas lembrou autoridades que, segundo ele, receberam recursos do Master: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a ex-ministra Flávia Arruda — mencionada na relação familiar com sócios do banco — e o ex-ministro Fábio Faria. O petista também citou repasses a Jair Bolsonaro e ao governador Tarcísio de Freitas na disputa de 2022, usando as doações para sustentar a tese de influência e favorecimento durante a gestão do governo anterior.

Além de apontar supostos vínculos financeiros, Haddad afirmou que o banco se desenvolveu na gestão do presidente do Banco Central nomeado por Bolsonaro, uma menção que sugere questionamento sobre a supervisão institucional naquele período. No mesmo discurso, o ex-ministro fez críticas duras a Flávio Bolsonaro, citando negócios e movimentações que, no seu entender, desabonam uma eventual candidatura presidencial do senador.

A fala do petista tem impacto político imediato: acende alerta para aliados do bolsonarismo e amplia o terreno de disputa na pré-campanha, ao transformar elementos de financiamento em instrumento de desgaste. Embora as afirmações reflitam posicionamento de campanha, elas também exigem respostas formais e podem alimentar pedidos de esclarecimento sobre doações, controles e possíveis conflitos de interesse.

À medida que a sucessão presidencial ganha forma, episódios como este tendem a acirrar a retórica entre adversários e a colocar na agenda pública a transparência de recursos de campanhas. O efeito concreto dependerá das reações dos citados e da capacidade de transformar essas acusações em apurações factuais ou em contra-argumentos políticos efetivos.