Em entrevista ao podcast 3 Irmãos, o ex-ministro Fernando Haddad afirmou que o Brasil precisa cooperar com os Estados Unidos para enfrentar o crime organizado, citando, na sua avaliação, fluxos financeiros e abastecimento de armas com origem naquele país. Ao mesmo tempo, ressaltou que a aproximação não pode implicar em subordinação dos interesses nacionais aos americanos.

Haddad aproveitou para criticar a gestão do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo, acusando o governo estadual de não liderar esforços conjuntos com a União no combate ao crime organizado. Segundo o pré-candidato, houve sabotagem a iniciativas como a chamada lei Antifacção e à tramitação da PEC da Segurança Pública — afirmações que expõem um conflito entre esferas de poder e dificultam ações coordenadas.

Como sinal de prioridade, Haddad disse que, se eleito, a primeira medida seria dialogar com o presidente para incluir um capítulo sobre segurança pública na Constituição, argumento usado para tirar o tema da margem das políticas temporárias. A proposta tem apelo político imediato, mas exigirá negociação complexa no Congresso e coordenação administrativa entre estados e União.

A mensagem mistura pragmatismo e estratégia eleitoral: ao defender cooperação internacional, Haddad tenta ocupar espaço de governabilidade e ordem pública; ao criticar Tarcísio, cria um ponto de tensão em São Paulo que pode repercutir na campanha. Resta avaliar se a promessa constitucional se traduzirá em proposta técnica consistente ou ficará no campo retórico da disputa eleitoral.