Em discurso nesta sexta-feira, 1º de maio, durante ato da Força Sindical em São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad reagiu ao empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em levantamentos de intenção de voto. Segundo ele, a comparação entre os dois candidatos é "inadmissível" e só se explica por uma "lavagem cerebral" coletiva, expressão que resumiu sua crítica ao fenômeno.

Haddad citou a pesquisa do Datafolha, divulgada em 11 de abril, que apontou 46% para Flávio e 45% para Lula num segundo turno, diferença dentro da margem de erro. Para o pré-candidato ao governo paulista, o crescimento do senador se deve, em grande parte, a estratégias de desinformação que confundem eleitores e ocultam propostas, numa leitura direta sobre a dinâmica eleitoral.

O discurso ocorreu num momento sensível para o governo: Haddad participou dos atos após duas derrotas no Congresso — a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF e a aprovação do projeto conhecido como PL da Dosimetria — eventos que, segundo aliados, reforçam a necessidade de reagir politicamente e ajustar a comunicação.

Além de mobilizar a base trabalhista na bandeira do fim da escala 6x1, com aliados comentando agendas de jornada de trabalho, o episódio expõe um desafio prático para a campanha: como contrapor narrativas adversárias e traduzir vantagem programática em recuperação de intenção de voto. A pesquisa, por enquanto, é retrato do momento, mas acende alerta sobre a necessidade de resposta estratégica.