O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, tornou pública nesta quinta-feira (21/5) a sua reprovação à posição do governador Tarcísio de Freitas contrária ao fim da escala 6x1 — proposta defendida pelo governo federal que reduziria a jornada de 44 para 40 horas semanais e estabelecerá duas folgas remuneradas. Em entrevista à rádio Nova Difusora, Haddad acusou o governador de privilegiar interesses empresariais em detrimento dos trabalhadores, um gesto que ganha peso político em ano eleitoral.
A defesa de Tarcísio pela manutenção das 44 horas foi exposta na abertura da 40ª Apas Show, quando o governador afirmou que mudanças na carga horária poderiam onerar empresas e prejudicar a relação entre empregador e empregado. O embate expõe um nó político: ao adotar discurso afinado com o setor supermercadista, Tarcísio se distancia da pauta trabalhista defendida pelo governo federal, criando espaço para críticas de adversários e questionamentos sobre prioridades em sua gestão.
Haddad também criticou a recusa de Tarcísio à proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais — medida que, segundo o ex-ministro, foi prometida pelo próprio governador e por lideranças de seu campo político, mas não avançou. O ex-ministro afirmou ter sido incumbido pelo presidente Lula de levar a isenção ao Congresso, posição que o coloca em campo de confronto direto com opositores que defendem medidas de proteção ao setor privado como via para preservação de empregos.
Do ponto de vista eleitoral e administrativo, a divergência entre o governador paulista e a agenda do governo federal tende a ampliar desgaste e a complicar a narrativa oficial em São Paulo. Para Tarcísio, o custo político é engendrado pela percepção de que prioriza empregadores; para Haddad, a crítica funciona como arma de campanha para marcar posição junto à base trabalhadora. Resta observar se o conflito se traduzirá em alterações de pauta, pressões setoriais ou repercussão significativa no eleitorado do estado.