Em sabatina na RedeTV! nesta terça (11/8), o candidato petista ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que Tarcísio de Freitas tem procurado distanciar-se publicamente do senador Flávio Bolsonaro. Segundo Haddad, o governador e candidato do Republicanos não pronunciou o nome de Flávio uma única vez durante o debate promovido pela Band no domingo, num esforço para “esconder” a relação entre os dois.

Haddad citou, em suas observações, investigações e suspeitas que envolvem o senador — entre elas o caso das chamadas “rachadinhas”, a compra de imóveis com dinheiro vivo e transações ligadas ao comércio de chocolates — e mencionou ainda conexões apontadas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Todas as referências foram feitas como acusações levantadas ou em investigação, conforme ressaltado pelo próprio petista.

Questionado sobre por que não explorou o tema no debate, Haddad disse que preferiu dedicar o tempo a pautas estaduais: “Eu estava usando o meu tempo para falar do Estado. Não quero constrangê-lo tanto com as coisas que ele tem que explicar; quero discutir o Estado.” A opção revela dupla estratégia: cobrar publicamente a falta de explicações, mas evitar usar o palco do debate para ataques que poderiam desviar o foco local.

Politicamente, a afirmação cumpre papel claro: forçar uma explicação por parte de Tarcísio e marcar distinção entre crítica institucional e disputa eleitoral. Para o rival, porém, o silêncio sobre Flávio pode garantir fuga momentânea do desgaste associado às suspeitas — ao mesmo tempo em que abre espaço para o opositor explorar a omissão nas redes e em sabatinas futuras. O episódio tende a alimentar a agenda de questionamentos na campanha e a exigir reação coordenada da coligação do Republicanos.