O ex-ministro Fernando Haddad reagiu nesta quinta-feira (14/5) aos áudios publicados pelo Intercept que relacionam o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que as conexões expostas tornam o Banco Master e o clã Bolsonaro praticamente indissociáveis. A declaração busca transformar as revelações em um problema político direto para a família do ex-presidente.

Haddad listou autoridades e episódios que, segundo ele, demonstram a proximidade entre Vorcaro e o entorno do governo Bolsonaro: doações de campanha a Jair Bolsonaro e ao então ministro Tarcísio, interlocuções com membros da Esplanada, e a autorização do Banco Central para a operação do Master após intervenção que envolveu o BRB — sob a gestão de Roberto Campos Neto na autoridade monetária.

A reportagem do Intercept aponta que Vorcaro teria transferido R$ 61 milhões para a produção do filme Dark Horse, inspirado na vida do ex-presidente, além de conexões financeiras com aliados do clã. Também foi relatado que o ex-banqueiro participou da redação de uma emenda à PEC de autonomia do BC que aumentaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos para R$ 1 milhão — proposta que não avançou.

O episódio ganhou dimensão institucional com a operação da Polícia Federal que mirou o senador Ciro Nogueira, depois de mensagens periciadas atribuídas a Vorcaro indicarem pagamento de vantagens em troca de favorecimento ao Master. Para Haddad, o conjunto de fatos abre espaço para críticas sobre captura de políticas públicas por interesses privados.

Do ponto de vista político, as revelações acendem alerta para o clã Bolsonaro e aliados parlamentares: a narrativa de independência entre poderes e mercado fica fragilizada, enquanto opositores passam a pedir esclarecimentos. Investigação formal e esclarecimentos das partes citadas serão determinantes para medir o efeito real sobre reputações e cenários eleitorais.