O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira em sabatina no SPTV que nunca teve contato com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e exigiu que a Justiça levante integralmente os sigilos relacionados às investigações sobre a instituição antes da eleição. "Eu nunca recebi o Daniel Vorcaro na minha vida, nunca estive com ele no mesmo ambiente, nunca recebi uma mensagem nem um telefonema dele, nunca o procurei", declarou, em resposta às perguntas da bancada.

Haddad também associou Vorcaro a adversários políticos, ao afirmar que o banqueiro teria financiado campanhas do atual governador Tarcísio de Freitas e de Jair Bolsonaro, e disse que sua gestão foi responsável pela liquidação e prisão do empresário. Segundo o petista, a equipe já havia identificado Vorcaro como um "problema grave", ainda que a dimensão da fraude só tenha ficado clara depois.

Eu nunca recebi o Daniel Vorcaro na minha vida, nunca estive com ele no mesmo ambiente, nunca recebi uma mensagem nem um telefonema dele, nunca o procurei

Ao pedir a divulgação antecipada das informações, Haddad fez um enquadramento ético: a transparência deve preceder disputas ideológicas e a responsabilização tem de ser independente de partido. A cobrança do candidato acende alerta para as campanhas citadas e amplia desgaste sobre eventuais vínculos de financiamento — um tema sensível em ano eleitoral que pode pressionar adversários e forçar respostas públicas.

No plano judicial, o tema permanece volátil: a defesa de Vorcaro teria desistido de tentar acordo de delação premiada, enquanto há registros de que o empresário manifestou interesse em colaborar em depoimento à Polícia Federal. A exigência de Haddad por "abertura total" antecipa um confronto entre narrativa política e tramitação judicial, com potencial impacto direto na opinião pública nas semanas que antecedem o pleito.