A federação formada por PT, PCdoB e PV oficializou neste sábado, em Campinas, a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao governo de São Paulo. A convenção marca o início formal da campanha estadual e também deve incluir a definição dos suplentes ao Senado, gesto de acomodação entre as legendas da coligação.

A escolha de Campinas, em vez de Ribeirão Preto — cidade inicialmente cogitada pelo partido — foi justificada pela direção petista como uma decisão logística para facilitar a presença de militância e lideranças próximas à capital. Nos bastidores, contudo, adversários atribuíram a mudança ao desgaste do candidato em parte do eleitorado do interior paulista, um problema que a campanha terá de enfrentar.

Reforçar a presença no interior é, de fato, prioridade. Em 2022 Haddad teve desempenho melhor na Região Metropolitana, mas perdeu terreno nas cidades do interior onde o atual governador ampliou vantagem. A estratégia anunciada na convenção busca ampliar diálogos com partidos aliados e lideranças locais para tentar reverter essa dinâmica antes da disputa de 2026.

Na pré-campanha, a equipe de Haddad vem dando centralidade ao tema da segurança pública. As diretrizes divulgadas privilegiam combate ao crime organizado, integração das forças e proteção a grupos vulneráveis, e citam o uso mais intenso de inteligência artificial na investigação e na distribuição do efetivo, além da retomada da gravação ininterrupta das câmeras corporais dos policiais. A coordenação diz ter contado com especialistas e integrantes das forças de segurança na elaboração das propostas.

Com a homologação da candidatura, a corrida paulista tende a afunilar em torno do confronto com o governador Tarcísio, que busca a reeleição. O anúncio em Campinas deixa claro o recado petista: reduzir o déficit no interior e apresentar uma alternativa crível em segurança. Se não conseguir transformar esses sinais em resultados concretos, Haddad corre o risco de ver confirmada a mesma vulnerabilidade que o impediu de vencer em 2022.