O Instituto Paraná Pesquisas divulgou nesta quinta-feira um recorte que altera a percepção do quadro em São Paulo: em um eventual segundo turno entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), o primeiro aparece com 53,4% das intenções de voto contra 37,3% do petista. Na rodada anterior, em fevereiro, a diferença entre os dois era de 26,3 pontos; agora caiu para 16,1, uma retração de 10 pontos na vantagem governista que acende alerta na base de Tarcísio.

No cenário estimulado de primeiro turno, Tarcísio segue na frente com 47,8% e Haddad tem 33,1%. Os demais candidatos pontuam de forma residual: Paulo Serra (PSDB) aparece com 4,6% e Kim Kataguiri (União Brasil) com 3,5%. Brancos, nulos e os que não sabem somam pouco menos de 12% do eleitorado. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores em 80 municípios entre 11 e 14 de abril; margem de erro é de 2,5 pontos percentuais e grau de confiança de 95% (registro TSE SP-00378/2026).

O recuo de Tarcísio no segundo turno tem impacto político direto: reduz margem de conforto e complica a narrativa de invencibilidade que a campanha governista tenta sustentar. Ao mesmo tempo, os números também expõem um limite para Haddad: ele lidera a rejeição, com 42,9% dizendo que não votariam nele, frente a 27,2% para Tarcísio. Ou seja, apesar da recuperação nas intenções, o petista precisa converter rejeição em votos e ampliar palanque além do núcleo petista para transformar a tendência em viabilidade eleitoral.

Na prática, o levantamento muda o cálculo estratégico para os dois lados. Tarcísio terá de evitar complacência e intensificar a agenda de entrega e comunicação para recuperar margem; Haddad, por sua vez, tem espaço para trabalhar a mobilização e desgaste do adversário, mas enfrenta obstáculo real na taxa de rejeição. Os números são um retrato do momento, não previsão definitiva, e podem oscilar dentro da margem de erro nas próximas sondagens.