O empresário mineiro Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira na sexta etapa da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A nova fase foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça e mobilizou sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A PF aponta suspeitas que incluem corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos e violação de sigilo funcional.

Discreto no ambiente público, Vorcaro é fundador do Grupo Multipar, conglomerado com atuação em infraestrutura, energia, agronegócio e imobiliário. Seu nome já havia surgido em desdobramentos anteriores da investigação envolvendo o Banco Master. Conforme relatado ao longo das fases da operação, investigadores identificaram movimentações e ocultação patrimonial atribuídas a contas ligadas ao pai de Daniel Vorcaro, com cifras que chegaram a R$ 2,2 bilhões em janeiro.

A Operação Compliance Zero apura um suposto esquema de fraudes financeiras e lavagem envolvendo o Banco Master e operações com o BRB. Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março e negocia acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Em desdobramentos recentes, mensagens e áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro, citando aportes para o filme Dark Horse, trouxeram nova dimensão política ao caso; reportagem do Intercept Brasil citou US$ 24 milhões em negociação, valor que equivaleria a cerca de R$ 134 milhões na época — o senador negou vínculo.

Além do impacto jurídico, a operação acende alerta sobre governança em instituições financeiras e amplia desgaste para os envolvidos. A prisão de um empresário com participação em setores estratégicos reforça a necessidade de respostas claras das autoridades e do mercado para conter risco de contágio institucional e político. A investigação tende a manter pressão sobre bancos, operadores e eventuais interlocuções políticas até que se esclareçam responsabilidades e fluxos financeiros.