O empresário Henrique Vorcaro, fundador do Grupo Multipar, sofreu um surto nesta quinta-feira (22/5) no complexo penitenciário Nelson Hungria, em Contagem (MG), onde está preso desde 14 de maio. Segundo relatos da defesa, Vorcaro enfrenta quadro de depressão e tem dificuldade para se adaptar à rotina do maior presídio do estado, marcado por histórico de superlotação e problemas estruturais.

Vorcaro foi preso na fase mais recente da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura um suposto esquema de vigilância e intimidação relacionado ao círculo do banqueiro Daniel Vorcaro. A PF atribui a ele papel de operador financeiro do grupo sob investigação. Em decisão anexada ao processo, o ministro André Mendonça destacou que o empresário atuava por conta própria na engrenagem investigada, e não apenas como familiar do investigado principal.

Fontes ligadas ao caso indicam que o episódio no presídio ocorreu em meio a notícias internas sobre a rejeição, pelos investigadores, da primeira proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro. A defesa do banqueiro teria tentado, nas negociações, obter cláusulas de proteção para familiares; procuradores e integrantes da Polícia Federal consideraram inicialmente insuficientes as provas oferecidas, mas deram nova chance para complementação do material. Paralelamente, Daniel perdeu privilégios na custódia da PF em Brasília e foi transferido para uma cela comum, movimento que sinaliza endurecimento no trato à família investigada.

O surto de Henrique Vorcaro acrescenta dimensão humana a um caso com implicações jurídicas e políticas. Além do custo imediato para a família, o episódio tende a intensificar a pressão sobre a defesa e a prolongar a fase de coleta de provas, enquanto amplia o desgaste reputacional do Grupo Multipar. Para as autoridades, o desafio é transformar fragmentos de investigação em provas robustas que sustentem eventuais acusações — e fazê-lo sem ceder a pressões que poderiam ser interpretadas como arbitrariedade. O caso segue em investigação e tem potencial para repercutir na percepção pública sobre redes de influência e blindagem entre setores econômicos e investigados.