Em sabatina realizada nesta terça-feira (28) pelo Correio Braziliense, o pré-candidato do PSTU à Presidência, Hertz da Conceição Dias, fez um diagnóstico severo da educação pública brasileira: disse que as escolas vêm sofrendo sucateamento e um processo de privatização indireta que compromete a função pública do ensino. Professor de formação, ele defendeu ampliação dos investimentos, valorização da carreira docente e o fim das terceirizações como medidas centrais para reverter o quadro.
Hertz traçou um panorama histórico: afirmou que, diferentemente de modelos europeus, o sistema educacional brasileiro nasceu com o propósito de formar a elite, deixando a população negra e os trabalhadores à margem — daí sua defesa de políticas como as cotas, consideradas por ele medidas transitórias necessárias para reduzir desigualdades históricas. Vinculou o problema atual à desindustrialização e à adoção de políticas neoliberais que teriam adaptado a escola à lógica de mercado.
O presidenciável apontou elementos concretos dessa mercantilização: expansão da militarização nas unidades de ensino, adoção massiva de plataformas digitais e sistemas de avaliação padronizados que, segundo ele, desconsideram as diferentes realidades das redes e das comunidades escolares. Citou dados sobre o afastamento de cerca de 150 mil docentes por problemas de saúde em 2023 e pesquisa com estudantes da rede pública que indicaria episódios de perda da vontade de viver e automutilação.
Como resposta, Hertz propôs direcionar recursos exclusivamente às escolas públicas, criar um plano nacional unificado de cargos, carreiras e salários para professores com respeito ao piso nacional e encerrar a contratação terceirizada de serviços educacionais. As propostas sinalizam pressão por maior alocação de recursos e colocam na pauta um debate sobre prioridades orçamentárias e gestão da educação pública. A sabatina foi transmitida ao vivo e integra a primeira rodada de entrevistas com candidatos ao Planalto.