Em sabatina realizada pelo Correio Braziliense, o pré-candidato do PSTU à Presidência, Hertz da Conceição Dias, defendeu a adoção de conselhos populares como estrutura central de um eventual governo. Professor e ativista, ele admitiu a limitação prática do partido por não ter bancada no Congresso, mas afirmou que sindicatos, associações e movimentos sociais seriam a base de sustentação das decisões públicas.
Hertz criticou as regras eleitorais que, segundo ele, restringem a participação de legendas pequenas — com menor acesso a debates e tempo de rádio e TV — e classificou o sistema como antidemocrático por dificultar a apresentação de alternativas políticas. A estratégia anunciada busca transformar mobilização social em força política direta, contornando o poder de barganha tradicional no Parlamento.
Entre as propostas apontadas estão a redução das remunerações dos parlamentares para patamares próximos ao salário médio de trabalhadores qualificados e a possibilidade de revogação popular de mandatos antes do término. Na prática, medidas desse tipo colocariam pressão constante sobre representantes, ampliando mecanismos de controle popular, mas também potencialmente aprofundando conflitos entre Executivo e Legislativo.
No plano institucional, Hertz defendeu mudanças no Supremo Tribunal Federal: eleição popular dos ministros, salários alinhados à média dos trabalhadores e sujeição à revogação. A ideia configura uma radicalização democrática de corte plebiscitário e levanta questões sobre autonomia judicial e a separação de poderes, temas que tenderiam a gerar embates jurídicos e políticos se levados adiante.
Do ponto de vista eleitoral, a proposta é eficaz para mobilizar uma base engajada, mas enfrenta obstáculos claros: sem representação legislativa e com proposta de ruptura institucional, o projeto publica-se como alternativa de confrontação. Resta saber se a retórica de contestação conseguirá se traduzir em apoio amplo nas urnas em 2026 ou se ficará restrita a nichos militantes, além de inaugurar um difícil diálogo com as garantias constitucionais.