Em sabatina realizada nesta terça-feira (28/7) pelo Correio Braziliense, o pré-candidato do PSTU à Presidência, Hertz Dias, reafirmou propostas que rompem com os parâmetros do debate fiscal atual: revogação do arcabouço fiscal, da reforma da Previdência, da reforma trabalhista, da reforma tributária e suspensão do pagamento da dívida pública. As falas foram proferidas no auditório do jornal, com transmissão ao vivo.
Professor, rapper e ativista, Hertz Dias sustentou que a carga tributária recai sobre a classe trabalhadora e defendeu a aplicação desses recursos em serviços públicos e em garantias previdenciárias. Questionado sobre o déficit da Previdência, ele negou a existência do problema nas contas sociais e afirmou que as medidas recentes apenas agravaram a desigualdade fiscal.
O pré-candidato classificou as mudanças recentes como contrarreformas que, em sua avaliação, precarizaram o trabalho e favoreceram a terceirização. Também criticou a negociação atual da reforma tributária por não incluir temas que considera essenciais, como a revisão da Lei Kandir, e defendeu uma tributação progressiva que atinja grandes fortunas — segundo ele, os bilionários permaneceram fora do alcance das propostas em debate.
O posicionamento de Hertz Dias marca uma alternativa de alta radicalidade no campo fiscal e social. Embora mobilize setores à esquerda, suas propostas colocam o PSTU à margem das soluções que predominam entre forças políticas e tecnocráticas, tornando improvável a atração do eleitorado centrista. A sabatina, primeira rodada com candidatos ao Planalto, teve o apoio de associações de auditores fiscais e ampliou o contraste entre propostas heterodoxas e o consenso fiscal vigente.