O professor e militante social Hertz Dias, candidato do PSTU à Presidência, colocou no centro do seu programa o enfrentamento aos grandes monopólios, a reversão de privatizações e mudanças profundas nas relações de trabalho. Entre as propostas mais destacadas estão a revogação das reformas trabalhista e da Previdência, o fim da escala 6x1 — com adoção de jornada de 36 horas semanais sem redução salarial — e a proibição de práticas como pejotização e terceirização extensiva.
No campo econômico, o programa parte do diagnóstico de que a desindustrialização e a concentração de renda são responsáveis pela desigualdade persistente no país. Para reverter esse quadro, o documento defende a reestatização de serviços e empresas privatizadas (incluindo setores como metrôs, estradas e ferrovias), a expropriação da produção de ouro e metais estratégicos para incorporação às reservas públicas e um pacote fiscal que inclui tributação fortemente progressiva sobre lucros empresariais, taxação ampliada sobre remessas de capital ao exterior e imposto sobre grandes fortunas a partir de R$ 1 bilhão. Também propõe limitar a distribuição de dividendos a 25% nas grandes empresas remanescentes, com reinvestimento obrigatório no país.
Na agenda social, o PSTU combina medidas de emprego e proteção: um plano nacional de obras públicas para geração de empregos, universalização do saneamento, construção de escolas, hospitais e creches; aumento de 100% no salário mínimo até o valor calculado pelo Dieese; e bolsa equivalente a um salário mínimo para trabalhadores desempregados. O programa aborda ainda a situação dos trabalhadores de aplicativo, propondo o reconhecimento do vínculo trabalhista e garantia de direitos como previdência, férias e 13º.
As propostas colocam no centro um projeto de governo explicitamente antineoliberal e de ampliação do setor público na economia. Politicamente, tratam-se de medidas de alto custo político e institucional: reestatizações em larga escala e tributações sobre fortunas e lucros tenderiam a provocar resistência empresarial e desafios jurídicos, além de exigir articulação parlamentar robusta e impacto fiscal detalhado. Na disputa eleitoral, o documento sinaliza a tentativa de mobilizar a classe trabalhadora por meio de prioridades claras, mas também expõe a dificuldade de traduzir propostas de ruptura em políticas imediatas diante do atual equilíbrio de forças.