O programa de governo do professor e ativista Hertz Dias, candidato à Presidência pelo PSTU, coloca como prioridades o fim da escala 6x1 sem redução salarial, a redução da jornada para 36 horas semanais, a revogação das reformas trabalhista e da Previdência e a reestatização de setores privatizados. A plataforma, publicada na série da Agência Brasil sobre programas de campanha, também defende reindustrialização, aumento de 100% do salário mínimo e um pacote tributário que inclui imposto progressivo sobre grandes fortunas a partir de R$ 1 bilhão e limitação na distribuição de dividendos.

As propostas visam, segundo o documento, combater a desindustrialização e a concentração econômica, com medidas que vão do fim de benefícios fiscais a grandes empresas até a taxação de remessas de capital ao exterior. Entre pontos de maior impacto, o PSTU prevê a expropriação da produção nacional de ouro e metais preciosos como reserva cambial pública e reinvestimento obrigatório do excedente produtivo no país. No plano social, o programa defende um conjunto de políticas voltadas a trabalhadores, população negra, mulheres, LGBTQIA+ e povos tradicionais.

Do ponto de vista prático e político, as medidas indicam um conflito direto com interesses do setor privado, além de provocar debates sobre viabilidade fiscal e juridicidade de ações como reestatizações e expropriações. Propostas como aumento real imediato do salário mínimo e ampliação de direitos trabalhistas acendem alerta sobre o custo orçamentário e a necessidade de fontes de receita robustas — itens que o programa tenta cobrir com tributação progressiva e recuperação de ativos. Ainda assim, a adoção de pontos centrais dependeria de apoio legislativo e toparia resistência em centros de poder econômico.

Eleitorado e condução política serão determinantes: o documento do PSTU oferece um retrato ideológico claro e uma agenda de ruptura que complica a narrativa moderada do centro e força a oposição a reagir. Para além do simbolismo, muitas das propostas terão de ser detalhadas em termos legais e financeiros para sair do plano de intenções e enfrentar o crivo de mercado, Congresso e Judiciário — um desafio que define a distância entre reivindicação eleitoral e governabilidade.