A deputada federal Érika Hilton (PSol-SP) pediu nesta sexta-feira a prisão do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) após o parlamentar divulgar um documento fraudulento atribuído à Polícia Federal. O laudo, segundo Hilton, teria sido produzido por inteligência artificial e usado para rebater as suspeitas sobre conversas de Nikolas com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-sócio do Banco Master, hoje preso por fraudes no sistema financeiro.
A conversa que motivou o embate cita um pedido de Nikolas para que Vorcaro comprasse uma peça de minério ofertada por um amigo do deputado; em outro trecho, o parlamentar chega a pedir desculpas por ter divulgado críticas ao banco. O diálogo foi publicado pelo ICL Notícias. A PF negou a veracidade do documento e Nikolas apagou a publicação; a assessoria do deputado afirmou que o conteúdo havia sido repostado a partir de um portal e removido ao constatar a falsidade.
Além do pedido de prisão feito por Hilton, o deputado Chico Alencar (PSol-RJ) apresentou notícia-crime à Procuradoria-Geral da República. A representação aponta que a divulgação e o uso do laudo podem, em tese, configurar os crimes de falsificação de documento público, falsidade ideológica e uso de documento falso (artigos 297, 299 e 304 do Código Penal). Hilton ressaltou que a conduta, além de criminosa, compromete o debate eleitoral.
No plano político, o episódio amplia o desgaste do parlamentar em pleno período de campanha e testa a capacidade de resposta das instituições: Polícia Federal, PGR e Justiça Eleitoral têm agora a tarefa de apurar a autoria do documento e as circunstâncias de sua circulação. A demanda por investigação rápida é a aposta de adversários e de parte da sociedade que vê na falsificação uma tentativa de manipular a narrativa pública.