O recesso parlamentar começou sem que o Senado abrisse espaço para a tramitação do projeto que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, uma das pautas mais mobilizadoras do primeiro semestre. A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, aguarda despacho para iniciar a análise na Casa Alta e deve ficar para depois da pausa legislativa, frustrando a expectativa de avançar ainda em 2026.
Em entrevista ao Correio, a deputada Erika Hilton (PSol-SP), uma das autoras e principais defensoras do fim da escala, atribuiu o atraso não à falta de apoio popular, mas à resistência dentro do sistema político. Ela apontou setores econômicos e atores políticos que travam a pauta, apesar de mobilizações de sindicatos, do Movimento VAT, de lideranças como Rick Azevedo e do apoio declarado do governo.
Do outro lado, críticos da mudança alertam para o impacto que uma alteração na escala pode ter em determinados ramos da economia, argumento que vem sendo usado para segurar a tramitação. Politicamente, a indefinição é custo direto para o Senado: além de manter trabalhadores sem resposta, amplia a sensação de que interesses setoriais conseguem postergar mudanças com impacto social relevante.
A saída, segundo Hilton, será manter a pressão nas redes e no parlamento quando a atividade legislativa for retomada. Resta ao Senado decidir entre ceder às resistências ou responder à agenda de milhões de trabalhadores que vêm organizando mobilizações e cobrando prazo por mudanças que afetam qualidade de vida e convívio familiar.