A proximidade da sessão plenária extraordinária convocada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, deixou a Corte em clima de tensão política. A pauta é objetiva: avaliar se existem elementos que justifiquem a abertura de investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes. Ao mesmo tempo, a disputa sobre o acesso ao conteúdo do iPhone 17 Pro apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro transformou uma questão técnica em foco do embate público entre ministros, com reflexos na Esplanada e na opinião pública. Para a sessão de amanhã haverá esquema especial de segurança, sinal do potencial de repercussão e da carga política do julgamento.
O epicentro do conflito foi a ordem do ministro Cristiano Zanin para que a Polícia Federal entregue imediatamente aos gabinetes uma cópia integral dos dados extraídos do aparelho de Vorcaro — apreendido em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero. Zanin sustentou que o acervo probatório pertence ao Plenário e a seus integrantes de forma coletiva, e que a PF confirmou a possibilidade de fornecer cópias sem comprometer a cadeia de custódia. O prazo imposto por Zanin terminou às 23h de ontem, intensificando a contenda interna sobre quem pode ver e manusear as informações obtidas pela investigação.
Do outro lado, o ministro André Mendonça advertiu que a abertura de todo o conteúdo do celular, neste momento, poderia tumultuar o julgamento e atrapalhar o curso das apurações em curso. Segundo sua leitura, incluir elementos que não constam dos autos poderia desviar o foco das questões submetidas ao Supremo e provocar questionamentos processuais diversos. Alexandre de Moraes, por sua vez, acusou Mendonça de ter adotado uma divulgação seletiva dos dados, que estaria protegendo integrantes da família Bolsonaro e ex-ministros com ligações a Vorcaro — uma acusação que amplia o tom político da disputa e intensifica a polarização em torno do caso.
A controvérsia ganhou ainda mais visibilidade depois que ex-ministros, empresários, juristas e economistas assinaram carta em defesa de Fachin e pela suposta moralização da Corte, o que indica que a crise extrapola os muros do Judiciário. Há também a informação de que cópias já foram compartilhadas com advogados de defesa e com o Congresso para subsidiar a CPMI do Master. No plano institucional, o conflito acende alerta sobre risco de desgaste reputacional e de percepção de parcialidade da Corte — uma variável que pode complicar a narrativa oficial e ampliar custos políticos para os atores envolvidos. Amanhã, o julgamento servirá de termômetro: além da decisão técnica, será medida a capacidade do Supremo de administrar uma divisão interna que já produz efeitos no debate público e na confiança nas instituições.