O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), avançou ontem em costuras com partidos do centro para adotar o voto distrital misto, com entrada em vigor prevista para 2034 e uma etapa de transição a partir de 2030. O entendimento foi selado em encontro com lideranças do União, PP, PSD, Republicanos, MDB, da federação PSDB‑Cidadania e do Podemos, segundo participantes da reunião.
A iniciativa surge como reação política ao desempenho de candidatos que puxaram votos em massa e ampliaram a bancada do PL nas eleições recentes. Dados citados nos encontros lembram que Nikolas Ferreira (PL‑MG) obteve 3,1 milhões de votos — suficiente para gerar ao partido outras 13 cadeiras em Minas — enquanto Lucas Pavanato (PL‑SP) teria puxado sete postos e Erika Hilton (PSol‑SP) três. No modelo aprovado pelo grupo, metade das cadeiras seria preenchida pelos mais votados em distritos e a outra metade por listas partidárias, substituindo o atual sistema proporcional puro.
Os líderes defendem a mudança por meio de proposta de emenda à Constituição, argumentando que esse caminho dá maior segurança jurídica para mexer nas regras eleitorais. A proposta prevê aplicar em 2030 um formato transitório — chamado pelos interlocutores de 'distritão misto' — e só consolidar o distrital misto quatro anos depois. Um dos nomes cogitados para relatoria é o deputado Domingos Neto (PSD‑CE). Motta afirmou que buscará ampliar o arco de apoio, embora partidos como PT, PCdoB, PV, PSol, PL e Novo venham se mantendo distantes das negociações.
Politicamente, a ofensiva do Centrão tenta reequilibrar o desenho das bancadas e reduzir o espaço aberto por puxadores que beneficiaram o PL. Se avançar, a mudança terá impacto nas estratégias partidárias, na disputa por recursos eleitorais e na composição das lideranças das Casas — tema já em articulação para 2027, quando serão escolhidas as presidências do Congresso. A proposta ainda depende de negociação extensa e votação qualificada, e sua viabilidade medirá a capacidade do bloco de transformar desgaste eleitoral em reforma institucional.