O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), disse nesta quinta-feira que a discussão sobre a redução da jornada e o fim da escala 6x1 não nasceu por causa do calendário eleitoral. Em entrevista na Paraíba, Motta afirmou que a pauta é antiga e disse haver “ambiente favorável” na Casa para avanço rápido, com a expectativa de votação no primeiro semestre.
O cronograma apresentado pelo relator Léo Prates prevê parecer na comissão especial em 26 de maio e análise em plenário no dia seguinte. Nos bastidores, Motta vem pressionando lideranças para acelerar a tramitação, criticou tentativas de atrasar a votação e pediu a participação do setor produtivo nas negociações. Parlamentares da comissão também realizaram audiência pública ao lado do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para discutir impactos.
A ênfase em aprovar a PEC antes do recesso e do início oficial da campanha tem dupla leitura: para o presidente da Câmara, evita que o tema seja contaminado pela disputa eleitoral; para observadores, o ritmo apertado acende alerta sobre compressão do debate e sobre a capacidade do Congresso de conciliar interesses de trabalhadores e empregadores em prazo curto. A iniciativa reduz janela para ajustes técnicos e tende a elevar a pressão política sobre deputados indecisos.
O desfecho importa: se a proposta for aprovada em tempo recorde, haverá custo político e econômico a ser administrado pelos gestores públicos e pelas bancadas afetadas; se o projeto empacar, a bancada que forguardou a promessa terá de lidar com desgaste por promessa não cumprida. Em ambos os cenários, o calendário acelerado transforma uma discussão setorial em desafio político para a Câmara na véspera do recesso.