O avanço das ferramentas de inteligência artificial promete transformar estratégias de campanha — e acende um alerta para o Tribunal Superior Eleitoral. Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que, em um ambiente de elevada polarização e baixo letramento digital, a capacidade de produzir conteúdos falsos e hiperpersonalizados pode se multiplicar até outubro, potencializando a circulação de desinformação. A dificuldade não é apenas técnica: trata-se de um choque entre velocidade da tecnologia e a resposta institucional.
Para o advogado eleitoral Jonatas Moreth, a corrida entre técnicas de manipulação e mecanismos de controle lembra a dinâmica entre doping e antidoping: sempre há um avanço do método ilícito até que se desenvolva um instrumento capaz de detectá‑lo. O diagnóstico implícito é político e organizacional: o TSE e os tribunais regionais precisam operar em sintonia e com quadros técnicos capazes de mapear e auditar conteúdos automatizados, sob pena de reagir tardiamente a práticas sofisticadas de influência.
O ponto central, segundo o cientista político Marcus Ianoni, é se a Justiça Eleitoral disporá de recursos humanos e tecnológicos suficientes para fiscalizar e coibir fraudes — ou se a burocracia e a limitação técnica vão tornar as regras letra morta. Há aqui uma tensão política: Nunes Marques sinaliza prioridade ao debate e ao direito de resposta, e seu viés por uma liberdade de expressão mais ampla pode colidir com demandas por medidas mais restritivas. A escolha entre um modelo mais permissivo ou um perfil intervencionista tem custo político claro: permissividade pode ampliar a desinformação; intervenção excessiva pode ser acusada de censura e gerar desgaste institucional.
Além das peças geradas por IA, especialistas alertam para o risco de pesquisas clandestinas e manipulação de dados eleitorais — um problema que a legislação tenta coibir com regras de registro, mas que padece de auditoria aprofundada. Sem fiscalização robusta e técnicos qualificados, medidas legais ficam vulneráveis à violação prática, como atravessar um sinal sem fiscalização. Em suma, o tema testa a capacidade do TSE: ou o tribunal se fortalece tecnicamente e define limites claros, ou verá a desinformação moldar o debate público e complicar a narrativa oficial em direção a 2026.