O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) comunicou nesta quarta-feira (9) que não será candidato ao Senado. Em entrevista ao Correio, disse estar cansado e que pretende dedicar mais tempo à família após quase sete anos no comando do governo local. A justificativa pessoal, porém, foi imediatamente contestada por adversários políticos que leem o recuo como tentativa de atenuar o custo eleitoral ligado às controvérsias envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB.
Líderes da oposição no DF reagiram com ceticismo. Para Fábio Félix (PSol), a retirada da disputa seria uma forma de antecipar a “resposta que as urnas dariam” diante do desgaste político que acompanha episódios associados ao BRB. A senadora Leila Barros (PDT) adotou posição semelhante, afirmando que o verdadeiro motivo da desistência é o desgaste causado pelo caso Master e não apenas motivos pessoais.
Do lado governista, a atual governadora Celina Leão disse não ter sido comunicada antecipadamente, mas reconheceu os anos de governo e disse compreender a decisão de Ibaneis em cuidar da vida pessoal. A declaração evidencia um desconforto entre aliados: a saída repentina evita embates eleitorais imediatos, mas não apaga a exposição política que já recai sobre o entorno do ex-governador e seus apoiadores.
A principal consequência política é prática e rápida: a reorganização de candidaturas e alianças no DF. A desistência também não encerra a pressão institucional — a oposição promete acompanhar as investigações para garantir o rigor jurídico. Para o MDB, o recuo reduz uma candidatura com potencial de polarizar a disputa, mas simultaneamente expõe o custo político de um episódio que já provoca desgaste e rearranja o mapa eleitoral local.