A percepção negativa sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avançou seis pontos entre os eleitores brasileiros, passando de 39% em maio para 45% em junho, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (15). O salto ocorre após decisões públicas de 28 de maio (classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas) e o anúncio, em 2 de junho, da proposta de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 5 e 8 de junho; a margem de erro é de dois pontos.
O movimento foi desigual entre segmentos. A alta foi mais intensa entre eleitores que se identificam como de esquerda não lulista — ali a avaliação negativa subiu de 66% para 84% — enquanto entre lulistas o índice se mantém alto, em 66%. Independentes ficaram estáveis (46% para 47%). Na direita não bolsonarista, a desaprovação é baixa (14%); entre bolsonaristas, a negativa chegou a 15%, três pontos acima de maio. Nove dias antes do início da pesquisa, o senador Flávio Bolsonaro visitou a Casa Branca; análise da consultoria Arquimedes mostra impacto neutro nas redes: cerca de 250 mil publicações de 55 mil perfis, com 46% neutras, 29% negativas e 25% positivas.
O levantamento também mediu a visão sobre os Estados Unidos: 46% dos entrevistados têm opinião desfavorável e 39% favorável (ante 45% e 40% em maio). Sobre o temor de intervenção americana no Brasil, 51% disseram ter medo, enquanto 40% consideram a preocupação exagerada. Quanto ao relacionamento entre Lula e Trump, 46% defendem postura de aliado, 31% preferem independência e 9% acham que o Brasil deveria adotar posição de opositor (era 6% no levantamento anterior).
Politicamente, a pesquisa acende alerta para a estratégia de aproximação defendida por parte dos aliados de Bolsonaro: o aumento da rejeição a Trump amplia o custo político de alinhamentos públicos e reduz o capital simbólico de gestos que busquem associação com o republicano. Para o governo Lula, os números oferecem margem para sustentar discurso crítico ao tarifaço e ampliar mobilização diplomática no G7, onde o presidente embarcou para a França. Ainda que seja um retrato do momento e não uma previsão, os dados impõem desafios de comunicação e condicionam decisões de política externa e econômica.