A votação da PEC da Segurança no Senado foi suspensa após um impasse centrado na inclusão de dispositivos que reduzem a maioridade penal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu adiar a sessão ao constatar divergências entre a oposição, setores do governo e integrantes do PT sobre a pauta, numa sinalização de que a matéria não teria resolução unânime no plenário.
A mobilização começou quando o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou emenda propondo baixar a maioridade de 18 para 16 anos em casos gerais e para 14 anos em crimes hediondos — listados no texto como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e associação criminosa. Em reação, o líder do PT, Camilo Santana (PT-CE), apresentou alternativa que reduziria a maioridade para 16 anos apenas em crimes hediondos, mantendo 18 anos para os demais delitos; segundo ele, a iniciativa teve conhecimento do Planalto.
A proposta do PT, no entanto, não consolidou apoio dentro da própria bancada, onde senadores experientes manifestaram resistência histórica à redução da maioridade. Coordenadores da campanha do presidente Lula e líderes partidários já sinalizaram que a inclusão do tema na PEC pode paralisar a tramitação, pois obrigaria o retorno da matéria à Câmara — um efeito que reduziria a chance de aprovação antes do segundo turno e retiraria do governo um argumento de gestão em segurança nas urnas. Esse cenário acende alerta sobre custo político e cronograma eleitoral.
No debate, vozes do Planalto, como a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), defenderam que a questão seja tratada com calma e não "de afogadilho", indicando preferência por enviar a maioridade penal a uma PEC paralela, modelo já adotado na Câmara. Já a oposição não abriu mão do tema, transformando-o em ponto de pressão. Em meio a essa encruzilhada, o adiamento amplia desgaste na base governista e obriga o Planalto a calibrar estratégia: ou sacrifica celeridade na resposta à insegurança — assunto recorrente nas pesquisas de opinião — ou corre o risco de perder adesões e adiar ainda mais a agenda legislativa.
A falta de acordo deixa a proposta de criação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e outras medidas de endurecimento contra facções em compasso de espera. Parlamentares apontam possibilidade de retomada da votação na próxima semana, caso se feche um compromisso para tratar a maioridade em projeto separado; até lá, no entanto, o episódio já registra custo político concreto para o governo e redefine prioridades do Congresso para as próximas sessões.