O Senado dos Estados Unidos adiou mais uma vez a votação sobre a indicação de Daniel Perez para chefiar a embaixada americana no Brasil. A análise do nome, prevista para a sessão de quinta-feira (6), ficou fora da pauta após um impasse entre republicanos e democratas sobre quais projetos deveriam ser votados antes do recesso de cinco semanas, segundo relatos da imprensa americana.

A expectativa é que Perez volte ao plenário inserido em um pacote com outras 73 indicações do governo Trump — bloco que chegou a figurar como o primeiro item da ordem do dia, mas não foi votado mesmo após horas de sessão. Nos bastidores, a negociação incluiu concessões sobre a retirada de propostas, como um projeto ligado ao mercado de criptomoedas, e a tentativa de destravar medidas consideradas prioritárias, como um financiamento provisório do governo e sanções à Rússia.

Do ponto de vista diplomático, porém, a eventual aprovação no Senado não conclui o processo. O governo brasileiro segue avaliando o pedido de agrément, autorização prevista na Convenção de Viena para que um embaixador assuma o posto. Integrantes do Palácio do Planalto afirmaram que o caso seguirá trâmites técnicos e rejeitaram a leitura de que uma confirmação do Senado representaria pressão para apressar a decisão brasileira.

O adiamento expõe dois efeitos políticos imediatos: nos EUA, evidencia a dificuldade do Congresso em avançar pautas mesmo quando há interesse executivo em consolidar nomeações antes do recesso; no Brasil, reforça a necessidade de separar calendário legislativo norte-americano de prerrogativas diplomáticas brasileiras. A agenda a observar nas próximas horas é a retomada do Senado, prevista para 11h (Brasília), e o possível início das votações por volta das 12h30 — além da decisão final do Planalto sobre o agrément.