O Núcleo de Custódia da Polícia Militar do Distrito Federal implantou protocolo para garantir a incomunicabilidade absoluta entre Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e os demais investigados da Operação Compliance Zero presos na mesma unidade do 19º Batalhão, a chamada Papudinha. A medida atende à determinação do ministro André Mendonça, do STF, proferida em 25 de junho, quando autorizou a transferência de Vorcaro para a unidade e negou pedido de prisão domiciliar da defesa.

Segundo a PMDF, as ações incluem monitoramento contínuo, 24 horas por dia, alojamento em ambientes distintos e controle rigoroso da movimentação interna, com orientação expressa para comunicar imediatamente ao Judiciário qualquer tentativa de contato, ameaça ou coação envolvendo os custodiados. O objetivo explícito é preservar a produção de provas e evitar interferências no andamento das investigações.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, está na Papudinha desde 9 de maio — transferência autorizada a pedido da defesa para resguardar sigilo nas tratativas sobre eventual colaboração premiada, que acabou rejeitada pela Procuradoria-Geral da República na semana passada. A separação imposta pelo STF reduz a possibilidade de acordos ou combinações entre investigados e altera a dinâmica da coleta de provas.

A decisão judicial e o protocolo da PMDF sinalizam ao mesmo tempo preocupação com risco de conluio entre custodiados e empenho em blindar o processo. Para o curso da Operação Compliance Zero, a incomunicabilidade tende a acelerar a necessidade de decisões sobre depoimentos formais e produzir efeitos práticos no calendário processual e na estratégia de defesa dos envolvidos.