A três dias do segundo turno, a pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta quinta-feira expõe um cenário de alta tensão: Flávio Bolsonaro aparece com 45,2% das intenções de voto contra 44,1% do presidente Lula em simulação estimulada — diferença dentro da margem de erro de 2,2 pontos. No cálculo de votos válidos, o senador registra 50,6% ante 49,4% do petista. O levantamento entrevistou 2.000 eleitores por telefone entre 20 e 21 de outubro e tem 95% de confiança (registro TSE BR-02348/2026).

Os números revelam duas leituras simultâneas. Por um lado, a fidelidade é elevada: 89,8% dizem ter escolha definida e apenas 7,3% admitem mudar de opinião, o que reduz o espaço de manobra. Por outro, existe um núcleo potencialmente decisivo — 4,8% declaram que não vão votar, 4,3% indicam branco ou nulo e 1,6% não souberam responder — fatias suficientes para alterar o resultado num confronto tão apertado. Comparado com a rodada anterior, de 15 de outubro, ambos os candidatos ganharam terreno: Flávio subiu 1,6 ponto e Lula avançou 2 pontos; o percentual de indecisos e contrários ao comparecimento diminuiu, o que transforma mobilização e comparecimento em variáveis centrais.

A pesquisa detalha perfis que explicam por que o quadro permanece embolado. Lula lidera entre mulheres (47,3% a 42,3%), entre votantes do Nordeste (51,8% a 38,9%) e entre as faixas jovens e de menor renda. Flávio tem vantagem entre homens (48,4% a 40,7%), evangélicos (69,7% a 23,2%), eleitores de maior renda e nas regiões Sul (55,9% a 31,0%) e Sudeste. Entre quem votou em Jair Bolsonaro em 2022, a transferência para o filho é elevada (90,5%), assim como entre eleitores que escolheram Lula em 2022 a taxa de manutenção é alta (90,1% para o atual presidente). Essas clivagens mostram um país polarizado, com bolsas de voto muito consolidadas e uma margem de decisores pequena, mas relevante.

Do ponto de vista político, o resultado acende alerta para ambos os lados. Para o governo, o empate técnico complica a narrativa de estabilidade e reforça a necessidade de reforço de mobilização nos redutos do Nordeste, entre mulheres e jovens. Para a campanha de Flávio, a vantagem nos votos válidos aponta viabilidade, mas a margem estreita torna crítica a manutenção da coesão do eleitorado conservador e a estratégia de ampliar apoio em centros urbanos e faixas médias. Em termos práticos, a disputa deve se resolver na intensidade da mobilização, na gestão de comparecimento nas seções e na conversão dos indecisos remanescentes — um retrato do momento, não uma previsão definitiva, mas um sinal claro de que a reta final será decidida por poucos pontos percentuais.