A pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta quinta-feira mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 44% das intenções de voto contra 42% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulação estimulada de segundo turno. Com margem de erro de 2,2 pontos, o resultado configura empate técnico, mas expõe uma disputa apertada que pode traduzir-se em pressão extra sobre a estratégia eleitoral do presidente.
O levantamento revela forte divisão regional e por segmentos: Flávio lidera Sul (49,2%), Centro‑Oeste (58,9%) e, numericamente, o Norte (46,1% cada), enquanto Lula mantém vantagem ampla no Nordeste (52,1%). Por sexo, há inversão clara: Lula registra 46,6% entre mulheres e 37,1% entre homens; Flávio tem 47,3% no eleitorado masculino e 40,2% entre mulheres. Religiosamente, o empate também é desigual — 81,3% dos evangélicos declaram voto em Flávio e 54,2% dos católicos preferem Lula. As diferenças por renda acompanham o padrão: Flávio melhor entre rendas mais altas; Lula lidera entre até dois salários mínimos.
Além dos percentuais brutos, a pesquisa aponta que, em votos válidos, Flávio soma 51% e Lula 49%. A solidez da decisão é alta: 87% disseram ter escolha definida e 11% afirmaram poder mudar de opinião; entre apoiadores de cada candidatura 91% declaram voto consolidado e 8% admitem possibilidade de alteração. A amostra ouviu 2.000 eleitores por telefone entre 13 e 14 de outubro de 2026, com protocolo no TSE BR‑04629/2026. O estudo é o primeiro da Indexa/Broadcast para o segundo turno e se soma a levantamentos recentes com resultados variados — Nexus/BTG, Atlas/Bloomberg e Datafolha mostram cenários próximos, porém com diferenças relevantes nos percentuais.
Politicamente, os números acendem alerta para a campanha do PT: a vantagem de Flávio em regiões-chave e entre homens e grupos de maior renda amplia desgaste e complica a narrativa governista em 2026. Para o PL, o quadro confirma base sociológica consolidada, mas o empate técnico impede comemorações definitivas. O mapa revela também que a disputa será decidida por margens estreitas e pela capacidade de cada campanha de recuperar eleitores voláteis e neutralizar identidades regionais e religiosas. Em termos práticos, os dados sugerem necessidade de ajustes táticos das duas campanhas — sobretudo do governo — na busca por ampliar penetração no Sudeste e reduzir a vantagem do adversário entre eleitores de maior renda e evangélicos.