O indicado pelo presidente Donald Trump para chefiar a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel Pérez, afirmou em sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano que os Estados Unidos têm um “enorme superavit” na balança com o Brasil. As declarações ocorreram na quinta-feira (16/7), um dia depois do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciar sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, medida prevista para entrar em vigor em 22 de julho.

Pérez disse também que não conhecia em detalhes a decisão do USTR — afirmou que a sobretaxa foi anunciada enquanto ele dormia — e listou prioridades diplomáticas caso seja confirmado: proteção de cidadãos americanos, promoção de comércio e investimentos, combate a crimes transnacionais e apoio a instituições democráticas e liberdade de imprensa. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o saldo comercial terminou o último ano com superavit de cerca de US$ 7,5 bilhões em favor dos EUA.

O episódio revela um desalinho entre as iniciativas econômicas e a retórica diplomática. De um lado, a retórica do indicado aponta para defesa das instituições e estabilidade eleitoral; de outro, a sobretaxa sinaliza ação punitiva sobre práticas comerciais brasileiras, com justificativas que vão desde questões tecnológicas e de propriedade intelectual até preocupações com o acesso ao mercado de etanol e o desmatamento. A surpresa declarada por Pérez amplifica a sensação de improviso e dificulta coordenação entre canais comerciais e diplomáticos.

Para Brasília, a combinação entre anúncio abrupto do USTR e a confissão de desconhecimento do futuro embaixador acrescenta pressão política: governo e setores exportadores precisam esclarecer impacto imediato e decidir resposta diplomática ou medidas de compensação. Pérez ainda depende de confirmação do Senado e de manifestação do governo brasileiro para assumir o posto, o que deixa espaço para negociações e pedidos formais de esclarecimento nas próximas semanas.