Movimentos indígenas de diferentes regiões do país divulgaram uma nota coletiva para comemorar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e ressaltar que a vitória representa uma defesa da democracia e da soberania. Assinada por cinco entidades nacionais e regionais, a manifestação celebra o resultado eleitoral, mas já condiciona o apoio à ação concreta sobre as terras indígenas.

O documento é subscrito pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), pela Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul, pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e pelo Conselho do Povo Terena. A COIAB destacou que povos amazônicos votaram nos nove estados da região e justificou o apoio na possibilidade de diálogo e na expectativa de retomada das demarcações.

O comunicado enfatiza que a mobilização seguirá como instrumento para cobrar a garantia dos direitos originários previstos na Constituição de 1988. Lula foi declarado reeleito às 21h09 de domingo (25/10), com 100% das urnas apuradas: 51,79% dos votos (mais de 64 milhões) contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro. A reviravolta no segundo turno sucede a desvantagem do primeiro turno (45,16% para Lula ante 47,03% para Flávio Bolsonaro).

A exigência por demarcações impõe ao novo governo um teste político imediato: as organizações indígenas transformaram a agenda territorial em prioridade e prometem vigilância e pressão institucional e nas ruas. Esse recado acende alerta sobre a necessidade de conciliar compromissos com direitos constitucionais e a gestão da base política, cenário que já aponta para desafios de articulação e potencial desgaste caso as expectativas não sejam atendidas.