A influenciadora catarinense Ana Ribeiro disse estar “indignada e perplexa” depois que documentos da investigação da Polícia Federal, cujo sigilo foi levantado pelo Supremo Tribunal Federal nesta sexta (11/09), mostraram que o banqueiro Daniel Vorcaro teria solicitado a derrubada de seu perfil no Instagram em 2023. Conhecida no universo da música eletrônica pelo perfil @anatrekaid, Ana publicou imagens de uma festa realizada em São Paulo durante a semana da Fórmula 1, com apresentações de nomes como Solomun, Swedish House Mafia e Vintage Culture.
Segundo relatórios da PF que constam do material tornado público, o evento — promovido em uma casa noturna identificada como Madame Club — teria sido organizado por Vorcaro e contou com a presença de políticos, empresários e magistrados, além de acompanhantes referidas nos autos como “suíças”. Os investigadores descrevem que o anfitrião teria tentado manter a festa em sigilo, proibindo o uso de celulares; o mesmo relatório cita a participação de 120 mulheres e 20 homens e que Vorcaro teria se fantasiado de Drácula.
A partir desses registros, Ana relata que, pouco tempo depois da publicação, seu perfil saiu do ar. Ela afirma ter buscado suporte junto ao Instagram e Facebook, ter acionado a Justiça e conseguido recuperar a conta apenas após meses, quando um funcionário da plataforma localizou uma página reserva e reativou o acesso. Só agora, com a divulgação das conversas, apareceu a possível explicação: em um trecho citado pela PF, Vorcaro encaminha o link do perfil a Luiz Phillipi Mourão — apontado pela investigação como integrante de um grupo que teria atuado para monitorar e ameaçar adversários — com a mensagem “Derruba esse”.
Além do problema individual da influenciadora, o episódio tem implicações políticas e institucionais. A associação entre um banqueiro investigado, a tentativa aparente de controlar a circulação de imagens e a presença de autoridades no evento acende alerta sobre tentativas privadas de silenciar informações que envolvem figuras públicas. Os documentos expostos pelo STF complicam a narrativa em torno do caso Master e colocam pressão sobre plataformas digitais para explicar critérios de moderação, além de reforçar a necessidade de apuração sobre a extensão das ações atribuídas ao grupo mencionado pela PF.