O ministro Alexandre de Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, autorização para investigar o colega André Mendonça no inquérito das fake news. O pedido, registrado em 3/9, ocorre em meio à crise aberta entre os dois magistrados e reativa o debate público sobre o funcionamento da Corte.
O encaminhamento menciona supostas irregularidades atribuídas a Mendonça durante a relatoria da Operação Sem Desconto e na Operação Compliance Zero. O episódio ganhou novo impulso depois que Mendonça divulgou relatório da Polícia Federal que expunha mensagens de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e Moraes respondeu com acusações de improbidade e abuso de autoridade.
O inquérito das fake news (nº 4.781) foi instaurado por Dias Toffoli em 14/3/2019, com Alexandre de Moraes nomeado relator de forma direta. Inicialmente voltado a ofensas e denúncias caluniosas contra o STF, o procedimento foi ampliado para abarcar atos antidemocráticos e milícias digitais. Todo o processo corre sob sigilo e é frequentemente alvo de críticas jurídicas.
A nova fase da investigação acende alerta institucional: o episódio amplia desgaste do STF ao manter sem prazo um inquérito que concentra papeis de vítima, investigador e julgador. Politicamente, complica narrativas no Planalto e na própria Corte, e aumenta a pressão por respostas sobre transparência, limites processuais e preservação da imparcialidade.