O inquérito que mira o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro foi instaurado formalmente em 22 de julho, após pedido da Polícia Federal e aval da Procuradoria-Geral da República. A investigação teve origem pública em 13 de maio, quando o portal The Intercept Brasil revelou a conexão entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse. O contrato apontado pela PF prevê investimento de US$ 24 milhões — cerca de metade teria sido pago — e parte do caso Master teve o sigilo suspenso pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, em 10 de setembro. Ainda assim, o inquérito específico sobre Bolsonaro permanece sob segredo.
Nos autos que motivaram a apuração, a Polícia Federal aponta mensagens e arquivos extraídos do celular de Vorcaro, além de um relatório do Coaf, como indícios de uma rota financeira internacional possivelmente vinculada à produção do filme. Há menção a remessas de US$ 12.333.335 da empresa Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, entre fevereiro e setembro de 2025, e a um contrato com calendário de 14 parcelas que se aproxima das remessas identificadas. A PF descreve Flávio como um "interlocutor direto" de Vorcaro; os registros apontam encontros ao longo de 2025, inclusive após a primeira prisão do banqueiro em 17 de novembro, quando ele já estava em prisão domiciliar.
Além das evidências documentais citadas pela PF, o relatório informa que há hipótese de envolvimento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro na orientação da gestão de recursos no exterior. Em resposta pública, Flávio nega irregularidades e afirmou em sabatina no Jornal Nacional que o caso estaria "mais que esclarecido", sem, porém, apresentar detalhamento contábil sobre como os recursos — estimados em mais de R$ 60 milhões vindo do Master — teriam sido efetivamente aplicados na produção do filme. A PF havia enumerado cinco pontos a esclarecer no pedido de abertura do inquérito e apontou, inclusive, a necessidade eventual de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos.
O cenário atual combina elementos técnicos e políticos que ampliam desgaste à volta do candidato: o sigilo do inquérito impede que o público e concorrentes avaliem diligências feitas desde julho, enquanto a liberação parcial de documentos por Fachin escancara trechos do caso Master, aumentando a pressão sobre respostas concretas. A falta de prestação de contas sobre a origem e o destino dos recursos deixa espaço para que a narrativa pública do candidato seja contestada em 2026. Resta acompanhar se a PF avançou em novas diligências, se serão solicitadas medidas ao Judiciário ou se a PGR e o relator no Supremo adotarão providências que clarifiquem — ou compliquem ainda mais — a situação do investigado.