Uma iniciativa de três eurodeputados do grupo Conservadores e Reformistas (ECR) colocou o nome de Alexandre de Moraes no radar da diplomacia europeia e foi imediatamente apropriada pelo bolsonarismo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que teve o mandato cassado em dezembro de 2025 por faltas, usou as redes para celebrar a movimentação como reforço às críticas ao STF.
No ofício enviado à alta representante da UE, Kaja Kallas, os parlamentares poloneses Adam Bielan e Mariusz Kamiski e o italiano Carlo Fidanza pedem ao Serviço Europeu para a Ação Externa uma análise sobre alegações de politização do Judiciário, potencial violação de direitos fundamentais e um escrutínio mais amplo sobre processos sensíveis. Eles também sugerem monitoramento independente das eleições brasileiras de 4 de outubro.
Os signatários citam, entre outros elementos, revelações ligadas ao caso Banco Master e trechos de investigação da Polícia Federal que mencionam contatos atribuídos a Moraes e contratos envolvendo escritório ligado à família do ministro. É preciso sublinhar que essas referências constam na carta dos eurodeputados e que a correspondência não equivale a uma posição formal da União Europeia nem indica abertura automática de sanções.
Politicamente, a ação internacionalizada tem duplo efeito: aumenta a visibilidade das críticas ao presidente do STF — algo útil ao campo bolsonarista em vésperas do pleito — e cria um dilema para setores que defendem independência institucional, porque a questão passa a tramitar também fora do país. A resposta do governo, do próprio tribunal e a existência de provas robustas serão determinantes para transformar denúncia em custo político real.