Um grupo de organizações da sociedade civil entregou à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) uma representação pedindo investigação sobre a circulação, em redes sociais, de percentuais extraídos de plataformas de apostas que têm sido apresentados como se fossem pesquisas de intenção de voto. Assinam o documento a Comissão Arns, Artigo 19, Sleeping Giants Brasil e Conectas.
O alerta é duplo: além de confundir o eleitor ao emprestar a estas probabilidades o status de 'pesquisa', as postagens estariam sendo impulsionadas com recursos, em alguns casos, vindos do exterior, o que pode violar a legislação eleitoral. A prática de apostas sobre eventos eleitorais já foi restringida pelo Conselho Monetário Nacional em abril, que limitou as plataformas a contratos sobre indicadores econômicos e financeiros regulados.
O material-base traz exemplos concretos: um perfil da Polymarket no Instagram publicou porcentagens indicando liderança do senador Flávio Bolsonaro, postagem que foi retirada pela Meta depois de pedido da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Reportagem da Agência Pública também identificou candidatos republicando esses gráficos em suas redes, estratégia que amplia o alcance da mensagem e contorna regras sobre pesquisas registradas.
A representação solicita que a PGE reúna dados sobre impulsionamentos para rastrear a origem dos valores e avalie medidas contra autores por divulgação irregular de pesquisa eleitoral e impulsionamento não autorizado. Pede ainda articulação com TSE, SPA, Anatel, AGU e ANPD. Politicamente, o caso acende alerta para lacunas regulatórias e complica a narrativa pública sobre intenção de voto: sem resposta rápida das autoridades, cresce o risco de distorção do quadro eleitoral e da utilização de sinais de mercado como ferramenta de construção de narrativa política.