Mesmo com o mandato se encerrando em 31 de janeiro, as investigações que atingem o senador Flávio Bolsonaro têm forte sinalização para permanecer no Supremo Tribunal Federal. Dois exames seguem em curso: um sobre repasses milionários ao filme Dark Horse e outro que apura suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Um deles tramita no gabinete de André Mendonça e está suspenso; o outro está com Alexandre de Moraes.

A manutenção no STF decorre da jurisprudência atual que privilegia a competência da Corte quando os fatos investigados ocorreram no exercício do mandato e guardam relação com a função. Criminalistas ouvidos pela reportagem consideram plausível essa conexão nos dois casos, o que explicaria por que a Corte não remeteu os processos para primeira instância mesmo diante da proximidade com o fim do mandato.

Os desdobramentos práticos ampliam a tensão: Moraes determinou a apreensão dos passaportes de Flávio, cujo prazo para entrega expirou sem que os documentos fossem apresentados, e a Polícia Federal acionou autoridades argentinas após informação de chegada de uma aeronave próxima à fronteira. Mesmo eventual saída do país não impede a continuidade das apurações, como mostram precedentes em que investigados residentes no exterior tiveram processos conduzidos.

Politicamente, a manutenção dos inquéritos no STF representa custo para o ministro responsável pelo caso. Moraes já vinha desgastado por suspeitas associadas ao episódio do Banco Master e enfrenta a perspectiva de pressão no Senado, onde o campo bolsonarista ampliou força nas últimas eleições. A decisão da Corte coloca em evidência a necessidade de fundamentar com clareza a competência, sob risco de ampliar desgaste institucional e abrir nova frente de disputa entre a Corte e o Congresso.