Uma operação do Ministério Público de São Paulo prendeu, nesta terça-feira, um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio MP, apontados como supostos infiltrados do Primeiro Comando da Capital (PCC). Além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Campinas e Cardoso, no interior paulista, e houve diligências que atingiram também um policial penal.
Segundo o Gaeco, os investigados teriam participado de um plano para matar um promotor do grupo de combate a organizações criminosas — o próprio Ministério Público já vinha apurando ameaças detectadas em operações anteriores. As investigações apontam ainda para esquemas de extorsão a investigadores, violação de sigilo funcional e possível corrupção de agentes públicos com o objetivo de facilitar a atuação da organização criminosa.
A operação Infiltrados é desdobramento das ações Pronta Resposta e Off White realizadas no ano passado, que já haviam identificado ramificações do PCC e esquemas de lavagem ligados a líderes do crime, entre eles Sérgio Luiz de Freitas (Mijão ou Xixi). Material apreendido inclui vídeos de encontros entre investigadores e suspeitos às vésperas das operações que frustraram atentados, o que reforça a suspeita de que havia coordenação interna para vazar informações e proteger interesses do grupo.
O episódio amplia o desgaste institucional: envolver membros da Polícia Civil, da Polícia Penal e até de uma promotoria criminal coloca em xeque a integridade das apurações e exige respostas das corregedorias e da própria instituição. A presença de um ex-policial já condenado por extorsão e expulso em 2008 adiciona um histórico que, para o MP-SP, reforça a necessidade de aprofundar as investigações e adotar medidas para resguardar investigações sensíveis e a segurança de agentes públicos.