A Polícia Federal cumpriu mandados na manhã desta quinta-feira (7/5) na quinta fase da Operação Compliance Zero, com alvos ligados ao senador Ciro Nogueira (PP). Entre os investigados está o irmão do parlamentar, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, que, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, terá de usar tornozeleira eletrônica, está proibido de deixar o município onde reside e deverá entregar o passaporte em até 48 horas.
Segundo a investigação, Raimundo Lima atuaria como “agente de sustentação formal e operacional” de uma estrutura empresarial associada ao núcleo familiar do senador. A PF aponta que uma imobiliária administrada por ele teria adquirido participações societárias com desconto estimado em cerca de R$ 12 milhões em relação ao valor de mercado — operação que, na avaliação dos investigadores, poderia ter servido para ocultar transferência de patrimônio em favor do parlamentar.
Os autos também trazem indícios de que o senador teria utilizado o mandato para favorecer interesses privados de um banqueiro em troca de vantagens econômicas. A PF cita a apresentação de uma emenda parlamentar cujo texto, segundo os investigadores, foi integralmente elaborado por assessores de uma instituição financeira e entregue na residência do senador. Como supostas contrapartidas, a apuração menciona pagamento de despesas de luxo em viagens internacionais, uso gratuito de imóveis de alto padrão e repasses mensais na faixa de R$ 300 mil a R$ 500 mil.
Nesta etapa da operação foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. O STF autorizou ainda o bloqueio de bens, direitos e valores no montante de R$ 18,85 milhões. As medidas cautelares adotadas pelo ministro André Mendonça buscam garantir o prosseguimento das apurações e a preservação de provas e ativos.
Além do efeito jurídico, a ação tem potencial político imediato: amplia o desgaste em torno do senador e do entorno político que o sustenta, enquanto exige respostas públicas sobre o uso do mandato e a relação com interesses privados. A investigação ainda está em curso e as suspeitas precisam ser comprovadas em juízo, mas as medidas do STF e a divulgação de detalhes operacionais elevam a pressão institucional e a demanda por explicações por parte do parlamentar e de interlocutores políticos.