A Corte di Cassazione da Itália analisa nesta quarta-feira (1º/7) o segundo pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli enviado pelo Brasil. O requerimento se refere à condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal por porte ilegal de arma de fogo e por constrangimento ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.
Na semana passada a Advocacia‑Geral da União protocolou o pedido e encaminhou à Corte italiana informações fornecidas pelo STF para demonstrar a regularidade do processo e atender às garantias exigidas. Entre os documentos estão a indicação do local onde a pena seria cumprida e a previsão de acesso da condenada a advogados, familiares e representantes diplomáticos.
O novo pedido foi enviado após a rejeição do primeiro requerimento, relativo à invasão de sistemas do CNJ e à inserção de mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, quando a Justiça italiana apontou conflito de interesses no papel do magistrado. Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltam que são fatos distintos e que o julgamento deve ser autônomo, embora o precedente torne a análise mais rigorosa.
A Corte poderá autorizar a extradição, solicitar garantias adicionais ao Estado brasileiro ou negar novamente o pedido. Mesmo se aprovado, o envio de Zambelli não é imediato: há etapas administrativas, trâmites diplomáticos e possibilidade de recursos na Itália. Além do impacto jurídico, o caso tem dimensão político‑diplomática e pode acender alerta sobre as garantias do processo e o custo político para aliados que sustentam a defesa pública da ex‑deputada.