A Justiça italiana marcou para 29 de outubro uma nova audiência sobre o pedido de extradição ao Brasil da ex-deputada Carla Zambelli. Na sessão, os magistrados vão avaliar exclusivamente se a solicitação apresentada pelas autoridades brasileiras cumpre os requisitos da legislação italiana e dos tratados internacionais — não será reaberta a discussão sobre a culpabilidade da ré.

O pedido brasileiro decorre das condenações contra Zambelli no Supremo Tribunal Federal, incluindo pena por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, relacionadas à perseguição armada a um homem em outubro de 2022, e outra condenação por envolvimento na invasão de sistemas do CNJ. Após o avanço das decisões judiciais no Brasil, ela deixou o país e passou a viver na Itália, onde chegou a ser presa e hoje está em liberdade enquanto tramita o processo de extradição.

No histórico recente, cortes italianas já observaram pontos que levaram à anulação parcial de um pedido anterior, como a necessidade de informações sobre assistência médica no sistema prisional brasileiro. A defesa sustenta que o novo requerimento deve ser negado por “falta de garantias processuais” e por riscos a direitos humanos, e informou que prepara revisões criminais e pedidos para exclusão de alertas da Interpol. Os advogados que atuam no caso têm bases jurídicas tanto na Itália quanto no Brasil.

Politicamente, o caso mantém tensão entre relatos de politização do Judiciário e a exigência de cumprimento das decisões penais. A próxima audiência acende alerta institucional: mesmo que a análise seja técnica, um novo revés na Itália pode ampliar questionamentos sobre imparcialidade e complicar o caminho para a execução das penas, reforçando debates sobre garantias processuais e repercutindo na narrativa pública em torno das decisões do STF.