O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, cobrou publicamente que o presidente argentino, Javier Milei, cesse imediatamente as agressões dirigidas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao jornal Clarín, o chanceler classificou as ofensas como muito graves e pediu a suspensão dos ataques para que a relação bilateral possa ser normalizada.
A sequência de críticas de Milei — que incluiu republicações de postagens nas redes sociais — motivou o Itamaraty a reduzir a representação diplomática em Buenos Aires: o embaixador Júlio Bitelli foi retirado do posto e, desde então, o Brasil é representado por um encarregado de negócios. Segundo Vieira, o retorno do embaixador dependerá da mudança das condições que levaram à retirada.
Vieira também rechaçou sem provas a acusação de que o governo brasileiro teria financiado uma campanha internacional contra a Argentina durante a Copa do Mundo, e negou veementemente essa hipótese ao jornal argentino. A troca de mensagens públicas agravou o atrito e fechou canais que costumam servir à cooperação bilateral.
No mesmo entrevist, o chanceler comentou outra tensão recente com os Estados Unidos: a indicação do embaixador americano ao Brasil e a alteração do visto da embaixadora brasileira em Nova York. Para Vieira, a forma como os EUA conduziram a consulta ao governo brasileiro rompeu normas previstas na Convenção de Viena e ocorreu em um contexto de comentários de autoridades americanas sobre o sistema eleitoral brasileiro, situação que ele considerou excessiva. O conjunto dos episódios aponta para um momento de maior desgaste diplomático que complica a agenda externa do país.