A decisão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) de recuar e descartar qualquer candidatura em 2026 teve rápida repercussão no Congresso e na cena política local. O senador Izalci Lucas (PL-DF) avaliou que, diante do quadro atual do Distrito Federal, Ibaneis não reunia condições eleitorais para disputar o Senado, atribuindo a desistência ao desgaste associado à gestão e às questões envolvendo o Banco de Brasília (BRB).
Em entrevista, Izalci destacou a percepção pública sobre dificuldades orçamentárias do GDF: atrasos em pagamentos a fornecedores, obras paralisadas e sinais de instabilidade fiscal. Citou também as controvérsias que cercaram operações do BRB nos últimos meses, um tema que, na visão do parlamentar, minou a confiança necessária para uma campanha competitiva.
Politicamente, a saída de Ibaneis altera o tabuleiro distrital. Para Izalci, a retirada de um nome com potencial competitivo reduz a fragmentação do eleitorado conservador e tende a beneficiar candidatos de direita, que podem ver melhor performance diante de menos concorrentes no mesmo campo ideológico. O senador, que se apresenta como pré-candidato ao governo do DF, porém, ainda precisa consolidar apoio dentro do PL, que não definiu nomes para a disputa local.
O anúncio de Ibaneis — que disse que pretende dedicar-se à família e à advocacia — encerra meses de especulação e redesenha a sucessão no DF. Além do impacto imediato na composição dos candidatos, a movimentação expõe como problemas de gestão e de governança financeira podem transferir custos eleitorais para partidos e nomes ligados à administração pública. A ausência do ex-governador força alianças e recalcula estratégias em um ano que promete ser de alta disputa política na capital federal.