A nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e deflagrada na manhã desta quinta-feira, atingiu o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e reacendeu a cobrança da oposição por uma investigação parlamentar. Izalci Lucas (PL-DF), líder da bancada oposicionista, pediu a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso Banco Master e eventuais vínculos entre agentes políticos e o sistema financeiro.
Izalci afirmou ao Correio que o episódio não pode ser visto como isolado e interpretou a operação como reforço às denúncias já levantadas sobre a atuação do Partido dos Trabalhadores em operações financeiras suspeitas. O senador oposicionista citou, além do Banco Master, episódios relacionados ao Banco de Brasília (BRB) como elementos que exigem apuração mais ampla e controle sobre a relação entre empresários e instituições públicas.
Pela posição do líder oposicionista, o Congresso tem responsabilidade direta em aprofundar investigações que envolvam agentes públicos. A montagem de uma CPMI depende de assinaturas de deputados e senadores e da leitura do requerimento no plenário, passos que Izalci quer acelerar para dar resposta política ao caso. Para a oposição, a medida seria instrumento necessário para reunir provas e criar um quadro público mais claro sobre as conexões apontadas pela PF.
Do lado do PT, a direção nacional apoiou as apurações e afirmou que a sociedade tem o direito de conhecer os fatos e de ver os responsáveis punidos, em nota assinada pelo presidente do partido, Edinho Silva. A defesa do empresário Augusto Lima, outro alvo da operação, classificou as diligências como desnecessárias, ressaltando que o cliente está à disposição das autoridades e que sempre atuou dentro da legalidade. Jaques Wagner permanece investigado, sem denúncia ou condenação.
A Polícia Federal não detalhou os elementos colhidos nesta fase e o processo tramita com sigilo parcial sob supervisão do STF. Politicamente, o episódio amplia pressão sobre o governo e coloca na agenda a necessidade de explicações claras sobre a interface entre poder público e instituições financeiras. A oposição tenta traduzir a ocorrência em ação parlamentar imediata; nas próximas semanas será possível medir se haverá adesão parlamentar suficiente para efetivar a CPMI e transformar suspeitas em investigação formal do Congresso.